E o prémio PME Inovação vai para… robôs e braços armados

Introsys recebeu, esta quarta-feira, o Prémio PME Inovação COTEC-BPI e a distinção Born From Knowledge da Agência Nacional da Inovação. Empresa já é referência nos sistemas de controlo robotizado.

Introsys recebeu, esta quarta-feira, o Prémio PME Inovação COTEC-BPI e a distinção Born From Knowledge da Agência Nacional da Inovação. Empresa já é referência nos sistemas de controlo robotizado.

De sorriso rasgado e dois prémios nas mãos, Nuno Flores confessou: “A Introsys é um exemplo de como o sonho comandou a vida”. Esta quarta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, a empresa que já é uma referência a nível internacional, na área dos sistemas de controlo robotizados foi destacada com a distinção Born From Knowledge (promovida, pela primeira vez, pela Agência Nacional de Inovação) e com o Prémio PME Inovação COTEC-BPI (que, este ano, celebra a sua sétima edição). “É o reconhecimento público do trabalho que tem sido desenvolvido por um conjunto impressionante de colaboradores”, comentou o cofundador e diretor-geral da companhia.

Os quinze anos que separam o nascimento da empresa de robótica deste momento não foram fáceis. “A Introsys nasceu num jogo de bilhar entre o meu pai, o meu irmão e eu”, contou ao ECO Flores. “O meu irmão apresentou, na altura, a ideia de montar uma empresa para criar um robô móvel na área da desminagem humanitária”, lembrou o empresário… e lá foram eles. Durante dois anos, esse foi o projeto principal da companhia, mas os obstáculos foram maiores que a sorte e a Introsys inverteu a estratégia para a indústria automóvel. Luís e Nuno Flores, ambos engenheiros (o primeiro na área da Informática e o segundo no campo da Produção Industrial), conheciam bem esse campo e, portanto, a viragem foi um sucesso.

“Hoje temos um centro de I&D, que abrange projetos internacionais e alguns nacionais ao abrigo do Programa 2020”, esclarece o diretor-geral. A área forte, contudo, mantém-se: os sistemas de controlo para a indústria automóvel e aeronáutica, nomeadamente com o desenvolvimento de software para robôs e braços armados, continuam a ser o prato principal da Introsys. Nesta área, atualmente, têm como clientes a BMW, a Volkswagen e a Ford.

“A empresa escolhida tem um historial de quinze anos de inovação”, afirmou, durante a cerimónia, Francisco Barbeira. Segundo o membro da Comissão Executiva do BPI, a Introsys está a ajudar “no desenvolvimento das fábricas do futuro”. Com satisfação visível, Nuno Flores acrescentou: “A inovação faz parte do código genético da Introsys, não é apenas um departamento”.

As distinções que, esta quarta-feira, foram atribuídas à empresa em causa corroboram a narrativa. O Prémio PME Inovação COTEC-BPI distingue, todos os anos, uma pequena ou média empresa que se tenha destacado pela sua atitude e atividades inovadoras, no panorama nacional. Em 2016, os vencedores foram a têxtil ERTS e a informática I2S. Por outro lado, a distinção Born From Knowledge — promovida pela, primeira vez, pela Agência Nacional de Inovação — tem como objetivo trazer o holofote à companhia que mais se fez notar em atividades de Investigação & Desenvolvimento.

De que é feito um campeão?

Dois anos depois de ter nascido, a Introsys chegou ao mercado internacional. Hoje tem presença na Alemanha, México, Índia e China, num total de 220 colaboradores. Em 2016, registou um volume de negócios próximo dos 17 milhões de euros. Na conversa com o ECO, Nuno Flores avançou: “este ano, vamos chegar aos 20 milhões de euros”. O segredo do sucesso? “A capacidade de se adaptar e produzir novos produtos”, confessou o diretor-geral.

Empresa espera subir dos 17 para os 20 milhões, em 2017

A Introsys nasceu com um pé lá fora, como fica refletido na relevância que as exportações têm tido para a empresa. “Este ano, andaremos perto dos 100%”, explica Flores, depois de nos últimos três anos a percentagem de produtos vendidos a países estrangeiros ter diminuído devido ao aumento da procura interna com o projeto do novo veículo T-roc, da Autoeuropa (que deverá atingir as 240 mil unidades, em 2018).

No mundo empresarial há década e meia, Nuno Flores deixa ainda um aviso sobre a necessidade do desenvolvimento de qualquer projeto ser sustentável: “Processos que estejam baseados em alavancagem são processos que, norma geral, muito facilmente podem sair do controlo”. Neste sentido, a Introsys tem mantido a mesma estrutura acionista nos últimos dez anos, mesmo face a inúmeras ofertas de investimento. “Temos conseguido resistir a essa tentação”, termina.

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