De Ronaldo a “charmoso”, como Centeno é visto lá fora

Após a eleição para o Eurogrupo, os meios de comunicação internacionais voltaram os holofotes para o ministro das Finanças português. Lá fora, Centeno é "Ronaldo", "charmoso" e "uma nova era".

Após a eleição para o Eurogrupo, os meios de comunicação internacionais voltaram os holofotes para o ministro das Finanças português. Lá fora, Centeno é "Ronaldo", "charmoso" e "uma nova era".

A Reuters, num perfil do recém-eleito presidente do Eurogrupo com o título “Centeno leva o charme português ao topo do Eurogrupo”, descreve-o como o homem “que usou o seu estilo descontraído” para fazer de “um país atingido pela crise” num “pupilo modelo da Zona Euro”.

Para além de descrever os seus feitos na pasta das Finanças, a agência frisa que Centeno é “conhecido como um workaholic que raramente perde o seu bom humor” e “um entusiasta do futebol”, dando como exemplo o episódio em que Centeno levou o cachecol da Seleção Portuguesa para a primeira reunião do Eurogrupo após conquistar o campeonato europeu.

Ponto final à austeridade

Há quem procure na eleição de Mário Centeno a mensagem de que a Europa irá virar a página da austeridade. Do outro lado da fronteira, o El País começa por lembrar que, há um ano, Centeno estava com um pé dentro e um pé fora do Ministério, mas que agora, está mais firme que nunca.

O jornal espanhol continua, sublinhando que há uma instituição europeia que continua longe das mãos dos conservadores, o Eurogrupo, e que com a eleição de Centeno, chegará “o ponto final simbólico à austeridade”.

Também a Associated Press afirma que esta vitória “marca o afastamento do mantra da austeridade”, com “maior perceção de que a austeridade dos últimos anos tem sido uma carga pesada para as pessoas.” Assim, a agência considera que a subida de Centeno à presidência do Eurogrupo “tem o potencial para simbolizar uma nova era na Zona Euro, ainda mais porque [Centeno] vem da Europa mais pobre”.

Os próximos passos de Centeno são ainda previstos pela agência, com o fim do resgate da Grécia a afirmar-se como um dos principais pontos. Mas há mais: “As melhorias na arquitetura da Zona Euro irão ocupar muita da agenda de Centeno. Há uma crença de que há mais a fazer para garantir que não há repetição da crise mais recente. Alcançar um consenso de como fazer isso será uma peça-chave do trabalho de Centeno.”

Do outro lado do Atlântico, o New York Times sublinha também “a mudança no foco” do Eurogrupo que se dá com a eleição de Centeno. “É um sinal de que os governantes da região podem estar prontos para deixar para trás uma era em que o euro parecia estar à beira do colapso”, pode ler-se no jornal norte-americano.

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