BCE cortou para metade compras de dívida portuguesa em 2017

Banco central comprou apenas 6,4 mil milhões de euros em obrigações portuguesas no ano passado, metade do que havia adquirido em 2016. E isto antes de Draghi reduzir estímulos em 2018.

Banco central comprou apenas 6,4 mil milhões de euros em obrigações portuguesas no ano passado, metade do que havia adquirido em 2016. E isto antes de Draghi reduzir estímulos em 2018.

As compras de dívida pública portuguesa por parte do Banco Central Europeu (BCE) afundaram para metade em 2017. O BCE adquiriu 6,4 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro da República portuguesa ao longo do ano passado, segundo revelou esta quarta-feira a instituição liderada por Mario Draghi. Em 2016, o banco central havia comprado o dobro em títulos nacionais: 13,4 mil milhões de euros.

Já no início deste ano, o BCE reduziu para metade o seu ritmo de aquisição de obrigações dos governos da Zona Euro, baixando as compras mensais dos 60 mil milhões de euros em 2017 para os 30 mil milhões de euros entre janeiro e setembro deste ano, a data para o fim deste programa de estímulos monetários.

Ainda assim, em relação a Portugal, essa redução de compras já se sentiu ao longo do ano passado, perante o cenário de menor liquidez de títulos no mercado nacional para o qual o BCE contribuiu decisivamente. As regras do programa estabelecem que a autoridade monetário poderia adquirir cerca de 1.200 milhões de euros por mês em obrigações portuguesas, mas o montante de aquisições em Portugal ficou bem abaixo dessa meta ao longo de 2017: a média mensal em 2017 situou-se nos 537,75 milhões de euros.

BCE compra cada vez menos dívida portuguesa

Fonte: BCE

Ainda que os analistas considerem que Portugal tenham sido um dos mais beneficiados com este programa de estímulos monetários do BCE e que o fim do plano de compras venha a ter impacto negativo nos juros da dívida portuguesa, Cristina Casalinho, líder do IGCP, já havia sublinhado ao ECO que o país estava relativamente protegido quanto ao fim do quantitative easing justamente porque o BCE já estava a comprar menos dívida portuguesa.

“Quando o BCE decidiu o aumento do programa dos 60 mil milhões para os 80 mil milhões de euros, nunca conseguiu comprar o máximo [de dívida portuguesa] que seria expectável. Ficou sempre a realizar compras abaixo. E posteriormente essa diminuição tornou-se até mais acentuada. Portanto, Portugal já está num processo de redução do programa, que decorre da forma como é implementado”, declarou Casalinho em entrevista realizada em agosto.

De acordo com os dados do BCE, em dezembro foram adquiridos pelo banco central mais 516 milhões de euros em títulos de dívida nacional, ficando a deter um total de 31 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro de Portugal.

(Notícia atualizada às 15h47)