José Carlos
Baldino1961 - 2014

O Ritmo da Vida

A vida corre com o rio
ao ritmo
da ampulheta
e vai e vem e vai
corre o rio e a vida
e ninguém corta a meta
correm e ninguém sabe porque correm.
Só Deus dá sentido à vida e ao rio
e à ampulheta.
E a vida ja faz sentido
e o rio ja não tem que correr
caminha

Baldino, 2010

Tudo sentido, tudo vivido

"Eu gosto particularmente do Outono. Sem a agressividade nem do Verão nem do Inverno, o Outono é a par da Primavera a estação do compromisso. Como nasci em Angola, até aos 15 anos não tive Outono e talvez por isso goste mais do que a maior parte das pessoas.

Lembro-me que os meus livros da primária falavam do Outono e que isso era uma estação que só existia na "Metrópole", assim como os porcos cor de rosa. E lembro-me do primeiro Outono que passei em Lisboa."

"Mas a minha primeira diva foi a Natalie Wood. Apaixonei-me por ela num filme menor chamado "A Solteira e o Atrevido" mas também por Ingrid Bergman, Diane Keaton, Faye Dunaway, Liv Ullmann, Jodie Foster, Brigitte Bardot, Ornella Mutti. Na ressaca de Humphrey Bogart vieram artistas de peso que podiam ser nossos pais ou irmãos. Elas eram sempre nossas namoradas."

"Hoje foi dia de salmonete no 5 oceanos e de Benfica-Freixieiro em Futsal com o Manel. Ao calor do Outono no almoço juntaram-se as luzes dos automóveis ao fim do dia. Tudo sentido, tudo vivido."

UM BALANÇO DESPORTIVO DE 2011

(Benfica em segundo lugar...)

"Do desporto não vou falar porque não me apetece :) a não ser do título mundial do Helder Rodrigues."

"OK, OK, vamos lá viver bem mais um dia."

 

No sapo e mais além

Na vida profissional do José Carlos Baldino, antes da Fundação PT havia a TMN, e antes da TMN, durante muito tempo, havia o SAPO. O SAPO, que nasceu na universidade, deu o salto de motor de pesquisa para o maior projeto da Internet e portal em Portugal com uma equipa que foi crescendo, durante vários anos, sob a orientação 'do Baldino'. Desse tempo há memórias de muito trabalho, mas também de muita energia, muito bom humor e algumas doses saudáveis de loucura. Da presença de alguém que não passava um dia sem falar com as suas pessoas, alguém que gostava de cumprimentar todos sem excepção com calorosos 'bom dia' pela manhã, que vivia as duras noitadas dos nascimentos dos projectos com as equipas, e que tinha a capacidade distinta de transformar colegas em amigos para a vida, tantos e tantos que fez.

Eram conversas não só de trabalho - falávamos sobre esta coisa das tecnologias, mas também sobre o Benfica, sobre a infância em Luanda, sobre cinema, sobre livros, sobre a família, sobre viagens. Coisas que nos mantiveram ligados ao longo dos anos, na vida como no trabalho.

No ano 2000, era esta a equipa do SAPO. Hoje, somos mais de 300, mas a marca do Baldino continua presente.

Obrigado, Baldino.